Ibovespa de lado com Brent a US$ 99,77: o que muda para o investidor

O Ibovespa (IBOV) abriu o pregão desta quinta-feira em leve alta de 0,04%, aos 186.418,35 pontos, por volta das 10h10 (horário de Brasília), tentando preservar a valorização de 5% acumulada em setembro. Enquanto o índice praticamente não saía do lugar, o petróleo voltou a rondar a marca dos US$ 100: o contrato do Brent para novembro avançava 1,85%, a US$ 99,77 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. No mesmo horário, o dólar à vista era negociado a R$ 5,1854, com alta de 0,22%, e o DXY — índice que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,35%, aos 101.804 pontos.

A sessão combina dois vetores que costumam mexer com o humor de quem investe: a reta final da disputa presidencial brasileira e a escalada do barril. Com o primeiro turno a três dias, a bolsa tende a operar com liquidez mais concentrada nas pesquisas e nos eventos políticos da noite. O petróleo perto de US$ 100, por sua vez, tende a reacender a discussão sobre custo de combustíveis e, em última instância, sobre a inflação — vetor que historicamente pesa sobre a curva de juros e sobre setores mais sensíveis ao consumo.

Brent a US$ 99,77 e WTI a US$ 91,07: o que sustenta a alta do barril

Dois fatores declarados explicam o movimento da manhã: a suspensão das exportações de derivados de petróleo pela China e a avaliação dos investidores sobre os novos esforços diplomáticos para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã. Na ICE, o Brent para novembro era cotado a US$ 99,77 o barril, em alta de 1,85%. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI do mesmo vencimento subia 0,72%, a US$ 91,07 o barril, na mesma janela de horário.

O efeito sobre a bolsa brasileira é ambíguo por natureza. Um barril mais caro ajuda petrolíferas e empresas da cadeia de óleo e gás, mas encarece insumos e transporte ao longo da economia, pressão que costuma chegar ao IPCA com defasagem. Somado a um dólar mais firme no exterior, o quadro tende a manter o mercado atento à relação entre câmbio, commodity e expectativa de inflação.

Petrobras e o repasse de R$ 1,03 bilhão em subvenções

A Petrobras (PETR4) recebeu novas parcelas dos programas de subvenção econômica à comercialização de gasolina e diesel — repasses federais que compensam parte do custo de venda dos combustíveis e estão previstos em medida provisória. O total pago soma R$ 1,03 bilhão.

CombustívelPeríodo de apuraçãoValor
Gasolina16 a 30 de junhoR$ 423,7 milhões
Diesel16 a 30 de junhoR$ 601,5 milhões
Complemento de gasolina1º a 15 de agostoR$ 0,6 milhão

As duas primeiras parcelas estão ligadas à Medida Provisória nº 1.358; o complemento de R$ 0,6 milhão tem como base a Medida Provisória nº 1.359. Para quem acompanha a estatal, o valor é pequeno diante da escala de caixa da companhia, mas sinaliza que os repasses previstos nas MPs seguem sendo liquidados — item de fluxo, sem relação direta com a cotação do barril nesta manhã.

Fed: Trump critica juros com a taxa em 3,75% a 4,00%

Em entrevista à revista Time divulgada nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer que o patamar dos juros americanos prejudica a economia mais do que a inflação. Na mesma conversa, defendeu que determinados níveis de inflação também podem ajudar a reduzir rapidamente o peso da dívida pública do país.

O pano de fundo é a decisão de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, que elevou a taxa em 25 pontos-base — cada ponto-base equivale a 0,01 ponto porcentual. Foi o primeiro aumento desde julho de 2023 e levou a faixa de referência para 3,75% a 4,00%. O mercado precifica pelo menos uma nova alta até dezembro.

Para o investidor local, o canal de transmissão é o câmbio. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a manter o dólar sustentado no exterior, e o DXY subia 0,35%, aos 101.804 pontos, enquanto a moeda americana ganhava 0,22% ante o real, a R$ 5,1854. Um real mais fraco costuma encarecer produtos importados e reforçar a cautela com ativos de risco.

Eleição a três dias: Real Time Big Data mostra Lula 43%, Flávio 39%

O levantamento do instituto Real Time Big Data, o último antes do primeiro turno, aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 39%. Os dois avançaram dois pontos porcentuais na comparação com a pesquisa de uma semana antes, quando apareciam com 41% e 37%.

A agenda desta quinta-feira inclui nova pesquisa Datafolha, com divulgação prevista para o fim do dia e sem horário definido. À noite, os candidatos participam de debate da TV Globo às 21h20 (horário de Brasília), sem a presença de Lula, que concede entrevista ao Flow Podcast a partir das 20h50. Historicamente, a aproximação do pleito costuma elevar a volatilidade intradiária do Ibovespa, com o fluxo se concentrando em ativos domésticos.

Cessar-fogo recusado por Trump e o recado de Pezeshkian

Ainda na entrevista à Time, Trump disse ter recusado uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo Irã no fim de semana. O texto incluía a oferta de reabrir o Estreito de Ormuz, mas, na avaliação do presidente americano, os termos não eram suficientemente bons.

Do outro lado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país segue aberto a negociações e analisa a resposta de Washington à proposta recente.

O desfecho dessa negociação interessa diretamente ao preço do barril. Qualquer sinal de trégua tende a reduzir o prêmio de risco embutido no petróleo; a manutenção do impasse mantém a commodity sensível a manchetes geopolíticas — e, por consequência, o Ibovespa e o câmbio.

O que fica no radar até o fechamento

  • Petróleo: Brent e WTI seguem como termômetro do apetite por risco ao longo do dia.
  • Pesquisa Datafolha prevista para o fim do dia, sem horário definido.
  • Debate da TV Globo às 21h20 e entrevista de Lula ao Flow Podcast às 20h50.
  • Juros americanos: o mercado precifica ao menos uma nova alta até dezembro, depois do ciclo iniciado em setembro.

A combinação de bolsa praticamente estável, barril perto de US$ 100 e disputa eleitoral na reta final descreve uma sessão de espera, na qual os preços tendem a responder mais a manchetes do que a dados novos. Os 5% de setembro seguem como a referência de desempenho que o índice busca preservar nesta reta final.