O Ibovespa Futuro iniciou o pregão desta terça-feira (6) sem direção única, alternando leves quedas e ganhos, e rondava +0,10% por volta das 9h15 de Brasília. A acomodação sucede um dia de exceção: na véspera, o índice à vista disparou, subiu 9% e renovou recordes históricos, enquanto a moeda americana cedeu frente ao real, voltando ao entorno de R$ 5,00. No primeiro turno da eleição presidencial, o placar apontou vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Profissionais de mercado trabalham com a hipótese de que a chance de o segundo turno, previsto para 25 de outubro, inverter esse resultado é baixa. Caso essa leitura se mantenha, o prêmio de incerteza política que costuma acompanhar disputas eleitorais perde peso relativo na formação de preços, e o comando do humor volta a fatores já conhecidos: juros longos, petróleo e a temporada de balanços que se abre nos Estados Unidos.

Dólar a R$ 5,257 e petróleo em baixa definem o tom da manhã

Na B3, o contrato futuro de dólar à vista recuava 0,06%, com a moeda sendo vendida a R$ 5,257 — nível que ainda guarda distância do R$ 5,00 alcançado na véspera.

No petróleo, o fechamento de segunda-feira foi negativo: o Brent cedeu 1,9%, a US$ 100,32 por barril, e o WTI recuou cerca de 1,8%, para US$ 89,43. Barril mais barato tende a aliviar a pressão inflacionária global e a reduzir o custo de insumos de setores intensivos em energia, embora comprima a receita de companhias ligadas a óleo e gás. Esse recuo dos preços ajuda a explicar o tom menos tenso do exterior no início do dia.

Consenso projeta avanço de 27% nos lucros do S&P 500

A temporada de resultados nos EUA começa na próxima semana, e a estimativa do Goldman Sachs é de que o consenso do mercado projeta crescimento de 27% nos lucros das empresas do S&P 500. Companhias expostas à infraestrutura de inteligência artificial responderiam por mais da metade desse avanço, segundo a casa.

Para o investidor brasileiro, o dado importa por via indireta: temporadas de lucros fortes tendem a sustentar o apetite por risco em mercados emergentes, enquanto resultados abaixo do esperado costumam reforçar a busca por proteção.

Taxas longas seguem nos maiores níveis dos últimos anos

A onda de vendas que atingiu os títulos soberanos dá sinais de arrefecimento, mas não foi capaz de trazer as taxas longas de volta a patamares menores — elas continuam rondando os níveis mais altos dos últimos anos. Inflação e endividamento permanecem no centro das preocupações dos investidores e limitam o espaço para quedas mais consistentes nos juros.

Ásia mista e feriados da Semana Dourada na China e na Coreia

IndicadorMovimentoNível
Ibovespa Futuro (9h15, Brasília)+0,10%—
Dólar à vista futuro (B3)-0,06%R$ 5,257
Brent (fechamento de segunda)-1,9%US$ 100,32
WTI (fechamento de segunda)-1,8%US$ 89,43
Nikkei 225 (Tóquio)+0,29%—
Kospi (Seul)-0,23%—
S&P/ASX 200 (Sydney)+0,53%—
Hang Seng (Hong Kong)+0,95%—

A apuração aponta também que China continental e Coreia do Sul figuravam entre os mercados fechados pelos feriados da Semana Dourada, um dos períodos de férias mais relevantes da região.

O que fica no radar até o segundo turno

  • A confirmação, nos próximos dias, da expectativa de que o pleito de 25 de outubro não inverta o placar do primeiro turno.
  • A abertura da temporada de balanços nos EUA na próxima semana, com atenção especial às empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.
  • O comportamento das taxas longas e das cotações do petróleo, dois vetores que vêm alternando entre alívio e tensão.

Para quem acompanha a bolsa brasileira, o quadro desta manhã não aponta reversão do rali da véspera, mas sinaliza que o impulso eleitoral já se acomoda nos preços. O ambiente externo — juros longos elevados, petróleo em baixa e uma temporada de resultados à frente — continua sendo o principal vetor de volatilidade no curto prazo.