Principais pontos

  • A queda é puxada pelas ações de primeira linha, mais demandadas por investidores estrangeiros.
  • O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,22% em julho ante junho, movimento mais intenso que a mediana negativa de 0,10%.
  • Um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) terminou sem desfecho: o placar chegou a 4 a 4 e Flávio Dino pediu vista, interrompendo a sessão sob a justificativa de que precisava de mais tempo para analisar a questão diante do clima de hostilidade entre os ministros.
  • O vencimento de opções sobre o Ibovespa pode fazer o giro financeiro da sessão superar a média diária de cerca de R$ 15 bilhões.

Ibovespa na mínima em dia de decisão dupla

O Ibovespa renovou a mínima do dia aos 184.753,98 pontos, queda de -0,94%, na quarta-feira de decisões duplas de política monetária: o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anuncia sua taxa às 15h, e o Comitê de Política Monetária (Copom) define a Selic às 18h30. A queda é puxada pelas ações de primeira linha, mais demandadas por investidores estrangeiros. O EWZ, principal ETF (fundo de índice negociado em bolsa) de ações brasileiras em Nova York, virou para o campo negativo e recuava -0,73%, enquanto a desvalorização do petróleo pressionava o setor em cerca de 2%.

Momento da sessãoIbovespaVariação
Fechamento de terça-feira, 15186.502,64 pontos+0,54%
Mínima desta quarta-feira184.753,98 pontos-0,94%
Às 11h38 desta quarta185.615,19 pontos-0,48%

Na terça-feira, 15, o índice havia fechado em alta de 0,54%, aos 186.502,64 pontos, com o petróleo em avanço. Às 11h38 desta quarta, o Ibovespa cedia 0,48%, aos 185.615,19 pontos, após abrir estável e marcar máxima no patamar do fechamento anterior.

Copom corta juros enquanto o Fed aperta

A leitura predominante é de que o Copom deve cortar a Selic para 13,75%, de 14% — redução de 0,25 ponto percentual que, na avaliação da economista-chefe da Mirae Asset Brasil, Marianna Costa, já está dada. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,22% em julho ante junho, movimento mais intenso que a mediana negativa de 0,10%. Na visão da economista, a atividade iniciou o terceiro trimestre mais fraca do que o esperado.

Nos Estados Unidos, o sinal é oposto: as vendas do varejo vieram mais fortes em agosto, o que corrobora a expectativa de alta dos juros nesta quarta-feira e abre espaço para novas elevações pelo Fed. Com um banco central subindo a taxa e o outro cortando, o diferencial de juros entre as duas economias tende a encolher — movimento que, historicamente, costuma reduzir o apetite do investidor estrangeiro por risco em mercados emergentes, o grupo que responde pelas ações de primeira linha pressionadas nesta sessão. Permanecem dúvidas sobre os próximos passos de cada autoridade monetária.

O impasse no STF virou variável de preço

Um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) terminou sem desfecho: o placar chegou a 4 a 4 e Flávio Dino pediu vista, interrompendo a sessão sob a justificativa de que precisava de mais tempo para analisar a questão diante do clima de hostilidade entre os ministros. No centro do impasse está a tentativa de evitar a investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes.

Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, avalia que o desfecho indefinido pode ser lido como negativo para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e alimentar o momento positivo da oposição nas pesquisas. O sócio da Tendências pondera que as incertezas elevadas e o receio de fatos novos capazes de atingir Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sustentam cautela.

Para Marianna Costa, o efeito sobre os preços dos ativos depende de como o imbróglio se converte em intenções de voto — um evento com força para prejudicar o presidente Lula na margem. As próximas pesquisas eleitorais são o termômetro para saber se o fortalecimento de um dos principais nomes da oposição se mantém, com a ressalva de que esse efeito pode perder força caso seja entendido como já incorporado.

A leitura é que o prêmio político passa a ter gatilho datado, o que tende a manter a volatilidade elevada em ativos domésticos.

O que observar até o fechamento

  • Fed, 15h: decisão de juros nos Estados Unidos, com atenção à sinalização sobre novas altas.
  • Copom, 18h30: anúncio da Selic, com corte de 0,25 ponto percentual esperado.
  • Vencimento de opções (derivativos que expiram nesta sessão): O vencimento de opções sobre o Ibovespa pode fazer o giro financeiro da sessão superar a média diária de cerca de R$ 15 bilhões.
  • Pesquisas eleitorais: os próximos levantamentos medem o efeito do impasse no STF sobre a corrida presidencial.