O Itaú Unibanco (ITUB4) terminou de direcionar os recursos do primeiro leilão do Eco Invest Brasil. Segundo a fonte, foram R$8,4 bilhões integralmente alocados em projetos de saneamento, transição energética, bioeconomia, economia circular — modelo que busca reaproveitar materiais e reduzir descarte — e infraestrutura sustentável, com divulgação em São Paulo em 8 de setembro.
A leitura para quem acompanha o banco e os setores financiados é de efeito multiplicador: cada R$ 1 captado pelo mecanismo oficial foi acompanhado por mais de R$ 5 de funding privado. Esse desenho tende a reduzir a dependência de subsídio direto e, historicamente, costuma ampliar a oferta de crédito de longo prazo quando o risco inicial é mitigado por recursos públicos.
A diretora de relações institucionais e sustentabilidade do Itaú Unibanco, Luciana Nicola, afirmou à agência que a destinação integral da primeira carteira mostra a capacidade do programa de transformar valores mobilizados em obras e operações concretas ligadas à transição ecológica.
Multiplicador de 6 vezes: R$1,35 bi oficial puxou R$7,05 bi privados
No primeiro certame, o Itaú foi, segundo a fonte, a instituição com maior volume contemplado. Foram R$1,35 bilhão captados diretamente via programa e outros R$7,05 bilhões mobilizados junto a investidores privados, soma que resulta nos R$8,4 bilhões agora alocados.
O Eco Invest Brasil foi criado pelo governo federal em 2024 para expandir o financiamento a iniciativas com retorno ambiental e socioeconômico positivo. Desde o lançamento, foram realizados quatro leilões, que mobilizaram cerca de R$140 bilhões, e um quinto certame foi aberto em maio.
Na visão transmitida pela executiva do banco, o principal potencial está na escala. Ao usar verba pública de forma catalítica — isto é, como âncora para atrair volumes muito maiores — o programa criaria condições para alongar prazos e destravar aportes em segmentos estratégicos. Ao longo de todos os leilões até aqui, o montante contemplado ao Itaú supera R$41 bilhões, segundo a fonte.
Para onde foram os R$8,4 bi: 16 operações em cinco frentes
O banco informou ter estruturado 16 operações na primeira carteira. Os maiores cheques foram para saneamento e para cadeias de base florestal renovável, seguidos por biocombustíveis, eficiência industrial e adaptação climática.
| Empresa | Valor informado | Finalidade descrita na fonte |
|---|---|---|
| Sabesp | mais de R$2 bilhões | Expansão e modernização de água e esgoto |
| Suzano | R$907 milhões | Cadeias renováveis e manejo florestal sustentável |
| Bracell | R$802 milhões | Cadeias renováveis e manejo florestal sustentável |
| Volkswagen – primeira tranche (fatia de operação) | R$531 milhões | Eficiência energética e modernização industrial |
| São Martinho | R$500 milhões | Produção de etanol de milho de menor carbono |
| Aegea | R$500 milhões | Expansão e modernização de água e esgoto |
| Volkswagen – segunda tranche | R$469 milhões | Eficiência energética e modernização industrial |
| Eurofarma | R$419 milhões | Infraestrutura resiliente, eficiência hídrica e energética |
| Coamo | R$400 milhões | Produção de etanol de milho de menor carbono |
| EDP | R$400 milhões | Digitalização de redes e redução de perdas elétricas |
| Grupo Boticário | R$375 milhões | Infraestrutura resiliente e redução de emissões |
Saneamento, biocombustível e indústria
No eixo de economia circular, os recursos bancaram projetos de mais de R$2 bilhões da Sabesp e de R$500 milhões da Aegea para ampliar abastecimento de água e tratamento de esgoto. Em transição energética, a Coamo, com R$400 milhões, e a São Martinho, com R$500 milhões, direcionaram verbas à fabricação de etanol de milho, com o objetivo de elevar a oferta de biocombustíveis de menor intensidade de carbono.
As operações com a Volkswagen, de R$531 milhões mais uma segunda tranche (fatia complementar da mesma estrutura) de R$469 milhões, e com a EDP, de R$400 milhões, miraram eficiência energética, atualização de plantas industriais, digitalização de redes elétricas e corte de perdas. Na bioeconomia — conjunto de atividades baseadas em recursos biológicos renováveis — os destaques foram Bracell, com R$802 milhões, e Suzano, com R$907 milhões, voltados a cadeias renováveis e manejo florestal sustentável.
O Grupo Boticário, com R$375 milhões, e a Eurofarma, com R$419 milhões, tiveram projetos de infraestrutura produtiva mais preparada para eventos climáticos, com foco em eficiência energética e hídrica e em redução de emissões, alinhados ao eixo de infraestrutura verde e adaptação.
Fila de R$33,1 bi muda o ritmo e o instrumento
O banco afirmou que já avança na destinação de mais de R$33,1 bilhões contemplados em leilões posteriores. Desse total, R$3,875 bilhões referem-se ao segundo leilão e R$29,250 bilhões ao terceiro, segundo os valores detalhados na fonte.
A executiva ponderou que, por envolverem estruturas e velocidades diferentes, ainda não há como estimar uma data para encerrar essas alocações. A fonte registra que o programa ganhou escopo e sofisticação ao longo do tempo, ao incorporar temas como recuperação de áreas degradadas e ferramentas como o equity sustentável — modalidade de participação societária desenhada para projetos verdes.
Para o investidor pessoa física que monitora crédito privado, ações de saneamento, papel e celulose ou fundos ligados a infraestrutura, a sinalização é de pipeline robusto, mas com desembolsos graduais. Acompanhar o ritmo de alocação dessa fila tende a ser mais informativo sobre fluxo de obras e demanda por equipamentos do que o anúncio isolado do leilão.
