O Itaú Unibanco (ITUB4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 7,8% na comparação anual e 1% frente aos três meses anteriores, resultado que se alinhou às projeções do mercado. A instituição sustenta um Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE, métrica que mede a eficiência no uso do capital dos acionistas) de 24,3%, patamar que permanece entre os mais elevados da B3. Mesmo com o corte das projeções oficiais de crescimento de receitas de serviços e seguros, os papéis reagiram com alta de 2,54%, negociados a R$ 43,17 às 10h26 (horário de Brasília) desta quarta-feira (5), recuperando perdas da sessão anterior.

Desempenho Financeiro e Expansão da Margem

A margem financeira gerencial (NII, ou Net Interest Income, que representa a diferença entre os juros cobrados nas operações de crédito e os custos de captação) somou R$ 33,5 bilhões, refletindo alta de 5,2% sobre o mesmo período do ano passado e 3,6% frente ao primeiro trimestre. O desempenho foi sustentado pela expansão da carteira e por ganhos adicionais da tesouraria. A margem com clientes atingiu R$ 32,6 bilhões, enquanto a margem de mercado avançou para R$ 931 milhões. Casas de análise observam que parte dessa expansão ocorreu em linhas com menor spread (diferença entre a taxa de empréstimo e o custo do banco), estratégia que contém a inflação de receitas financeiras no curto prazo, mas reduz a exposição a calotes.

Carteira de Crédito e Qualidade dos Ativos

O volume total de crédito alcançou R$ 1,52 trilhão ao final de junho, crescimento de 9,6% em doze meses e 2,7% no trimestre, superando inclusive o teto do guidance (projeções oficiais de gestão para indicadores futuros) anual de expansão entre 5,5% e 9,5%. O ritmo foi puxado por segmentos defensivos e com lastro real. A qualidade dos ativos permaneceu estável: o índice de inadimplência superior a 90 dias manteve-se em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo, enquanto o custo de crédito (provisões para perdas esperadas em relação à carteira média) ficou em 2,7%. Houve leve elevação nos atrasos iniciais para pequenas e médias empresas e operações na América Latina, sem impacto material no resultado consolidado.

Receitas de Serviços e o Ajuste nas Projeções

As receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 11 bilhões, variação praticamente nula na comparação trimestral e expansão de apenas 2,3% na base anual. A linha de conta corrente sofreu queda superior a 20% em relação ao mesmo trimestre de 2025, acompanhada de fraqueza nas tarifas de pagamentos e cobrança. No segmento de seguros, o resultado atingiu R$ 3,1 bilhões, crescimento de aproximadamente 9% em um ano, mas abaixo do consenso de mercado. Diante desse cenário, a diretoria revisou a projeção de expansão para o ano inteiro, reduzindo o intervalo de 5%–9% para 2%–5%. O ajuste reflete um ambiente de migração para produtos de menor risco e pressão competitiva no varejo.

Estrutura de Capital e Posição das Casas Analistas

A solidez patrimonial segue elevada. O índice principal de capital regulatório (CET1, Patrimônio de Referência Principal que mede a capacidade de absorver perdas) subiu para 12,3%, avanço de 30 pontos-base frente ao trimestre anterior, garantindo fôlego para distribuir proventos e financiar a expansão sem comprometer a segurança. As principais corretoras mantiveram teses favoráveis, destacando a disciplina de risco e a geração consistente de caixa.

InstituiçãoPosicionamentoPreço-Alvo (R$)Foco da Análise
XP InvestimentosCompra (Top Pick)Não divulgadoDiferencial de crescimento em crédito garantido e qualidade preservada
Goldman SachsCompra48,00ROE superior aos pares e margem financeira resiliente
Bradesco BBIOutperform45,00Postura conservadora e redução de estimativas para 2027
JPMorganEquilíbrio/CautelaNão divulgadoPondera crescimento e ROE contra alta em renegociações
Morgan StanleyCompraNão divulgadoPosicionamento para novo ciclo de crédito e controle de custos

O que isso significa para o investidor

O balanço do 2T26 desenha um banco em transição estratégica, priorizando a segurança da carteira e a preservação do capital em detrimento do crescimento agressivo de tarifas. Para o investidor pessoa física, o ROE consistente acima de 24% e a solidez do CET1 indicam que a remuneração dos acionistas tende a permanecer atrativa, mesmo em um cenário onde a Selic e o CDI podem oscilar conforme o ciclo de política monetária do Banco Central. A migração para linhas lastreadas (imobiliário e consignado) reduz a volatilidade dos resultados, mas impõe um teto natural para as margens financeiras. O corte de guidance sinaliza que a receita de fee (tarifas) não atuará como alavanca de curto prazo, exigindo paciência e foco na geração de capital distribuída via dividendos e juros sobre capital próprio (JCP, pagamentos aos acionistas que utilizam o lucro tributável como base).

Fatores de Risco

  • Aumento na formação de empréstimos problemáticos e crescimento da carteira renegociada, que podem elevar o custo de crédito nos próximos trimestres;
  • Fragilidade persistente nas receitas de conta corrente e serviços de pagamento, com impacto direto na receita operacional líquida;
  • Desaceleração macroeconômica doméstica ou global que pressione o comportamento de PMEs e a inadimplência na América Latina;
  • Ajuste conservador de guidance que, se prolongado até 2027, pode limitar a reprecificação dos múltiplos do papel no curto prazo.

Perspectiva e Próximos Passos

O mercado voltará o olhar para os indicadores de formação de provisões no 3T26 e para a trajetória da carteira renegociada nos próximos comunicados trimestrais. A manutenção da disciplina de concessão e a estabilidade do índice de 1,9% de inadimplência >90 dias serão os termômetros para validar se o banco conseguirá sustentar o ROE superior a 20% enquanto navega em um ciclo de crédito mais seletivo. A relação com a inflação (IPCA) e a curva de juros futuros continuará ditando a velocidade de expansão das linhas consignadas e imobiliárias, segmentos que já carregam o peso do crescimento recente.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.