Principais pontos
- A tese central do relatório, intitulado O cobre escondido, calcula que a divisão do metal vermelho vale US$ 10,4 bilhões.
- A companhia negocia a cerca de 4,9 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026.
- O JPMorgan mantém a recomendação overweight (desempenho acima da média do mercado) para a VALE3, com preço-alvo de R$ 109.
A mineradora Vale (VALE3) possui um ativo estratégico que o mercado financeiro tem ignorado na composição de seu preço. Segundo o banco JPMorgan, a exposição da companhia ao cobre não está refletida nas cotações atuais, gerando uma assimetria de risco e retorno. A tese central do relatório, intitulado O cobre escondido, calcula que a divisão do metal vermelho vale US$ 10,4 bilhões. Se esse negócio fosse precificado com os múltiplos de empresas globais especializadas no metal, as ações da mineradora brasileira poderiam ser 27% mais caras, com um potencial de valorização variando entre 12% e 53%.
A opção de valorização não precificada
O estudo utiliza a metodologia de soma das partes, que avalia cada divisão de uma empresa separadamente para chegar ao valor total da firma. Ao aplicar um múltiplo de 9,9 vezes o EV/Ebitda (Valor da Firma sobre o Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) para o cobre, alinhado ao de concorrentes comparáveis, o banco aponta um valor significativamente superior ao embutido na cotação da VALE3.
Para chegar a essa conclusão, o JPMorgan traça um paralelo com mineradoras globais focadas no metal, como Antofagasta, Lundin Mining, Capstone Copper e Southern Copper. A leitura é que o investidor pessoa física compra a ação hoje essencialmente pelo minério de ferro, ganhando o cobre como uma opção de valorização ainda não precificada.
O banco destaca que esse potencial de destravamento de valor independe de uma recuperação nas cotações do minério de ferro. Toda a upside (potencial de alta) adicional decorre exclusivamente da reprecificação do cobre, sem a necessidade de expansão de volumes ou de uma melhora no principal produto da companhia.
Desconto histórico frente aos pares globais
Além da tese específica do metal vermelho, o relatório aponta um desconto estrutural da mineradora brasileira em relação às suas concorrentes internacionais. A companhia negocia a cerca de 4,9 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026. Esse múltiplo fica abaixo da média de 6,1 vezes observada entre seus pares globais.
| Múltiplo EV/Ebitda (Est. 2026) | Valuation |
|---|---|
| Vale (VALE3) | 4,9x |
| Média dos Pares Globais | 6,1x |
O JPMorgan considera outros fatores positivos que sustentam a avaliação, como a execução operacional consistente, a produção robusta de minério de ferro, a tendência de redução de custos e a recente resolução das incertezas ligadas ao acordo de Mariana.
A travessia e os riscos até 2027
Apesar da tese favorável, o próprio relatório reconhece o risco de o mercado continuar ignorando o valor do cobre, mantendo o desconto aberto. A assimetria, contudo, permanece atrativa porque o minério de ferro oferece sustentação à avaliação atual da companhia.
Os principais riscos mapeados envolvem a volatilidade nas cotações do minério de ferro e eventuais interrupções operacionais. Esses fatores podem impedir a recuperação gradual da produção, que tem como meta atingir cerca de 333 milhões de toneladas até 2027.
O JPMorgan mantém a recomendação overweight (desempenho acima da média do mercado) para a VALE3, com preço-alvo de R$ 109. Considerando o fechamento da última segunda-feira, quando os papéis encerraram o pregão cotados a R$ 71,41, a meta implica um potencial expressivo de alta de 53%.
