Principais pontos

  • Sem esses furos adicionais não há como atestar se a descoberta recente na costa amazônica tem volume aproveitável.
  • A autorização foi assinada na quinta-feira pelo diretor-geral do Ibama, Jair Schmitt.
  • A Bacia da Foz do Amazonas apresenta geologia semelhante à de blocos da Guiana, onde a ExxonMobil desenvolve campos de petróleo de grande porte.

O Ibama autorizou a Petrobras (PETR4) a abrir 3 novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas (área offshore de grande profundidade, de operação mais custosa e complexa) do Amapá, segundo documento visto pela Reuters nesta sexta-feira.

Sem esses furos adicionais não há como atestar se a descoberta recente na costa amazônica tem volume aproveitável.

Segundo a fonte, o aval representa um passo à frente na tentativa de produzir na costa amazônica, região descrita como ambientalmente sensível, e a definição sobre viabilidade comercial (avaliação que indica se o volume encontrado sustenta produção futura) pode indicar o ritmo de reposição de reservas da companhia.

Por que três furos definem se há negócio na Foz

O poço exploratório (primeira perfuração feita para verificar presença e extensão de hidrocarbonetos) funciona como teste decisivo. Somente com mais de um furo se avalia a continuidade do reservatório, o que explica por que a leitura do Ativo Virtual trata a licença atual não como aval para produzir, mas como permissão para coletar informação técnica indispensável à decisão futura sobre comercialidade.

A Bacia da Foz do Amazonas fica próxima à foz do rio Amazonas. A Petrobras argumenta que precisa recompor suas reservas, posição que abriu divergência dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, opondo cautelas ambientais à estratégia de reposição.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou anteriormente que, confirmada a condição comercial da descoberta, o início da extração poderia ocorrer dentro de 7 anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva festejou a descoberta no mês passado e viajou ao estado do Amapá dias depois para exaltá-la publicamente:

“um passaporte para o futuro deste país”

A declaração, segundo a fonte, foi feita durante agenda no Norte do país dias após o anúncio da descoberta.

O que a licença cobra nos próximos 30 dias

A autorização foi assinada na quinta-feira pelo diretor-geral do Ibama, Jair Schmitt.

O texto determina que a Petrobras entregue um cronograma de perfuração atualizado em até 30 dias contados do recebimento da licença.

O documento fixa ainda exigências para manutenção da validade, entre elas a revisão da análise de riscos ambientais (estudo que mapeia cenários de acidente e medidas de contenção). A exigência reforça o caráter condicional do processo, em que cada etapa depende de demonstração de controle e de resposta a eventuais falhas.

No início deste ano, um vazamento de fluido durante a perfuração do primeiro poço acendeu alerta entre povos indígenas sobre os efeitos de uma eventual expansão petrolífera em um estado ainda amplamente recoberto por floresta amazônica preservada.

Os marcos verificáveis na fonte ajudam a organizar o acompanhamento:

MarcoMedidaOrigem
Autorização atual3 poços exploratóriosIbama
Prazo para cronograma30 dias após recebimentolicença assinada na quinta-feira
Da descoberta à produção7 anos se viáveldeclaração de Magda Chambriard
Histórico operacional1º poço com vazamento de fluidoinício deste ano

Margem Equatorial e o paralelo com a Guiana

A Bacia da Foz do Amazonas apresenta geologia semelhante à de blocos da Guiana, onde a ExxonMobil desenvolve campos de petróleo de grande porte.

A área integra a Margem Equatorial (fronteira apontada pela Petrobras como a mais promissora para novas descobertas).

Para quem acompanha a estatal na B3, a consequência prática está no binômio prazo e condicionante. O potencial de recompor reservas convive com licenciamento por etapas, exigência de estudos atualizados e sensibilidade socioambiental após o episódio de vazamento. Projetos desse perfil em águas ultraprofundas historicamente costumam apresentar custos elevados e cronogramas longos, o que tende a manter o noticiário regulatório no centro da formação de expectativas.