XP destoa ao manter compra dupla em papel e celulose
A XP Investimentos reiterou indicação de compra para Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), segundo a fonte, com preço-alvo de R$ 60 para SUZB3 e de R$ 24 para KLBN11, o que corresponde a potenciais calculados pela própria XP de 31,61% para Suzano e 31,29% para Klabin. A posição contrasta com a postura mais seletiva adotada por outras duas casas acompanhadas no material, embora as três concordem em um ponto central: a preferência pela Suzano como veículo mais direto para capturar a firmeza recente da celulose. A data de referência da apuração é 25 de setembro de 2026.
Para o investidor pessoa física com exposição a commodities, a consequência prática está na separação entre tática e estratégia que as três casas fazem. No horizonte de poucos meses, a oferta restrita no mercado de pronta entrega, os estoques mais enxutos e os reajustes anunciados para setembro e outubro de 2026 tendem a sustentar cotações e resultados atrelados ao dólar. No horizonte de vários anos, a mesma análise projeta excesso de capacidade e baseada em premissa conservadora de preço, o que limita a leitura de ciclo longo. Essa divisão ajuda a entender volatilidade, sensibilidade ao câmbio e diferença de comportamento entre uma produtora mais concentrada em celulose de mercado e outra com portfólio mais repartido.
Mapa das indicações: onde as casas convergem e onde se dividem
A comparação direta deixa claro o grau de consenso e o ponto de dissenso. As três casas acompanhadas colocam a Suzano como nome preferido entre as produtoras de celulose, sempre com indicação de compra atribuída a cada casa na mesma linha. A divergência aparece integralmente em Klabin, que recebe compra apenas da XP e avaliação neutra das outras duas instituições mencionadas na fonte.
| Casa | Suzano (SUZB3) | Klabin (KLBN11) |
|---|---|---|
| XP Investimentos | Compra pela XP, alvo de R$ 60 da XP, com potencial de 31,61% calculado pela XP | Compra pela XP, alvo de R$ 24 da XP, com potencial de 31,29% calculado pela XP |
| BTG Pactual | Compra pelo BTG Pactual, alvo de R$ 72 do BTG Pactual | Neutra pelo BTG Pactual, alvo de R$ 23 do BTG Pactual |
| Bradesco BBI | Compra pelo Bradesco BBI, alvo de R$ 59 do Bradesco BBI | Neutra pelo Bradesco BBI após rebaixamento, alvo de R$ 21 do Bradesco BBI, ante R$ 24 anteriores do Bradesco BBI |
O BTG Pactual descreve o episódio atual como um miniciclo, segundo a fonte, associado sobretudo à retomada das compras chinesas, a estoques menores e a uma oferta mais contida. A caracterização feita pelo BTG Pactual ajuda o investidor a calibrar expectativas: não se trata, na moldura apresentada pelo BTG Pactual, de uma virada duradoura de ciclo, mas de uma janela mais apertada de oferta e demanda. O Bradesco BBI caminhou em direção semelhante ao manter a Suzano como escolha principal entre as produtoras de celulose com compra pelo Bradesco BBI e ao reduzir a avaliação de Klabin de compra para neutra pelo Bradesco BBI, com corte de alvo de R$ 24 para R$ 21 promovido pelo Bradesco BBI.
A XP Investimentos compartilha a predileção pela Suzano, mas se distancia ao enxergar relação entre risco e retorno ainda atrativa também em KLBN11, o que sustenta a manutenção de compra para os dois papéis pela XP. Para quem acompanha a B3, a mensagem operacional é que o consenso se concentra no nome mais sensível ao preço de celulose de mercado, enquanto a dispersão das visões recai sobre o nome com maior diversificação e menor dependência direta daquela cotação. Historicamente, esse tipo de divergência costuma ampliar a diferença de desempenho entre os papéis em momentos de variação rápida da commodity.
O que virou no curto prazo após 12 meses de desempenho fraco
O setor de papel e celulose havia ficado para trás do conjunto do mercado nos 12 meses anteriores à análise, pressionado pela valorização do real frente ao dólar e por fundamentos menos favoráveis da commodity, conforme o diagnóstico atribuído à XP. A reversão tática descrita pela XP combina menor disponibilidade de fibra no mercado de pronta entrega, que é o ambiente de negociação para entrega imediata, além de estoques em queda e elevação de custos para produtores integrados na China, que fabricam papel a partir de celulose adquirida ou própria.
A XP aponta ainda que a entrada restrita de nova oferta durante o terceiro trimestre, somada à disponibilidade limitada no mercado de pronta entrega e ao alívio dos estoques, deve continuar amparando as cotações no início do quarto trimestre, na projeção feita pela XP para o período. Outro elo da mesma corrente vem dos reajustes anunciados para setembro e outubro de 2026, com destaque para o novo aumento comunicado pela Suzano para outubro, fato que reforçou a percepção de mercado mais firme, segundo a leitura atribuída à XP. Nesse intervalo de recuperação, SUZB3 e KLBN11 avançaram entre 5% e 15% no último mês, em intervalo calculado pelos analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, da XP.
Um termômetro específico citado pela XP envolve a matéria-prima dos fabricantes chineses. Os preços dos cavacos importados do Vietnã subiram US$ 20 por tonelada no acumulado do ano, em dado destacado pela XP. Quando o insumo encarece para o produtor integrado chinês, a estrutura de custos da cadeia se eleva e reduz o espaço para derrubada de preços do produto final, o que tende a dar suporte às tabelas de celulose no curto intervalo. Para o investidor brasileiro, esse detalhe operacional costuma funcionar como indicador antecedente de tentativa de repasse, embora não garanta repasse integral nem duradouro.
Proteção parcial em meio a eleição e tensão geopolítica
A XP também posiciona Suzano e Klabin como alternativas de perfil defensivo em ambiente de incerteza macroeconômica mais alta, na avaliação feita pela XP para o período. O ciclo eleitoral brasileiro e a ampliação das tensões geopolíticas aparecem, na moldura apresentada pela XP, como fontes potenciais de volatilidade para ativos domésticos. Nesse enquadramento, empresas com menor beta, que é a medida de sensibilidade de uma ação em relação às oscilações do mercado, e com parcela relevante de receitas denominadas em dólar tenderiam a oscilar menos que a média em episódios de aversão a risco.
É nesse contexto funcional que Suzano e Klabin são apresentadas pela XP como instrumentos de hedge, termo que designa proteção parcial de carteira contra movimentos adversos, em recomendação de caráter defensivo formulada pela XP. A lógica econômica é direta: custos concentrados em reais e preços de venda referenciados à moeda americana criam um colchão cambial quando o real se desvaloriza, enquanto a natureza de commodity global reduz a dependência imediata do ritmo da atividade interna. Para a pessoa física, isso não elimina risco setorial nem risco de preço da celulose, mas altera a composição de riscos da carteira, com maior peso de câmbio e de oferta global e menor peso de consumo doméstico.
Suzano para momentum, Klabin para menor oscilação relativa
Embora a indicação de compra da XP valha para os dois códigos, os fundamentos de cada tese são descritos como distintos pela própria XP. A Suzano é tratada pela XP como o canal mais direto para refletir a melhora imediata das cotações da celulose, justamente por sua exposição mais elevada à fibra de mercado. A Klabin é apresentada pela XP como alternativa de risco relativo menor, em função de exposição comparativamente mais contida ao excesso de capacidade do mercado chinês de celulose e de um portfólio de produtos mais diversificado, que inclui papéis e embalagens além da celulose.
Essa diferenciação setorial importa para a construção de posição. Um ativo mais concentrado tende a responder com maior intensidade tanto a altas quanto a recuos da referência internacional, enquanto um portfólio repartido entre linhas distintas tende a suavizar resultados quando apenas uma das pontas acelera. Na prática da B3, papéis com essas características distintas costumam apresentar correlações diferentes com o dólar, com o preço da celulose de fibra curta e com o Ibovespa, o que explica parte da preferência tática pela Suzano quando a variável dominante passa a ser o preço da fibra no trimestre.
Geração de caixa e desalavancagem até o fim da década
O suporte quantitativo para manter compra nos dois nomes pela XP passa pela geração de caixa projetada pela XP. A XP calcula rendimento do fluxo de caixa livre em relação ao valor de mercado, indicador conhecido como FCF yield, recorrente de 8,1% para Suzano em 2027 em cálculo feito pela XP e de 6,9% para Klabin em cálculo feito pela XP. O conceito mede quanto da geração de caixa após investimentos representa em proporção do valor da companhia em bolsa e serve como referência de retorno potencial em dinheiro, sem confundir com dividendo anunciado.
A XP estima ainda que esses retornos podem avançar à medida que os investimentos convirjam para patamares de manutenção e as companhias progridam na redução do endividamento, com FCF yields reais entre 11% e 12% até 2030 em estimativa formulada pela XP. A trajetória descrita pela XP pressupõe disciplina de capital, queda gradual da alavancagem e normalização dos desembolsos após ciclos de expansão. Para o investidor de horizonte mais longo, esse vetor de desalavancagem tende a ser tão relevante quanto o preço do trimestre, pois menor dívida costuma significar menor despesa financeira e maior flexibilidade para remunerar o acionista ou reinvestir, ainda que sem garantia de distribuição.
Por que o longo prazo segue tratado com cautela
A leitura tática mais favorável não se converteu em otimismo estrutural na visão apresentada pela XP. A casa segue cautelosa com os preços da celulose no longo prazo e adota premissa de US$ 560 por tonelada para a celulose de fibra curta, conhecida pela sigla BHKP, que identifica a celulose branqueada de fibra curta usada em papéis e tecidos, a partir de 2028, em premissa adotada pela XP. O recado para o investidor é que a janela atual de preços mais firmes convive com um teto analítico conservador para os anos seguintes.
Entre os riscos estruturais listados pela XP estão a baixa rentabilidade dos produtores de papel, a entrada de aproximadamente 10 milhões de toneladas de capacidade integrada na China entre 2026 e 2028 em volume citado pela XP e novos projetos de celulose de mercado. A XP cita nominalmente o projeto Oki II, da APP, previsto para o primeiro trimestre de 2027 em cronograma mencionado pela XP, e o projeto Sucuriú, da Arauco, esperado para o quarto trimestre daquele ano em cronograma mencionado pela XP. A entrada coordenada de oferta dessa magnitude tende a pressionar taxas de utilização e cotações quando a demanda não acompanha o mesmo ritmo, padrão que historicamente costuma caracterizar ciclos de commodities baseados em capacidade.
Outro ponto de atenção destacado pela XP é uma eventual queda dos preços dos cavacos de madeira na China, risco considerado mais plausível pela XP diante da intenção chinesa de reduzir gradualmente a dependência de produtos semimanufaturados importados e elevar a competitividade de sua indústria. Se o custo da madeira recuar para o produtor chinês, parte do suporte atual aos preços de celulose se dissipa, com efeito direto sobre margens de exportadores. Assim como as outras casas citadas, a XP separa a melhora conjuntural dos desafios estruturais, com a diferença de que a XP ainda enxerga atratividade na relação entre risco e retorno das duas companhias e mantém compra para SUZB3 e KLBN11 pela XP, com favoritismo tático para Suzano na captura do momento de preços descrito pela XP.
