O aumento de capital do Bradesco (BBDC4) recebeu homologação do Banco Central, e o aval regulatório veio acompanhado de um recálculo no JCP — os juros sobre o capital próprio, modalidade de remuneração ao acionista com Imposto de Renda retido na fonte. O crédito das ações subscritas está marcado para 13 de outubro de 2026, conforme o fato relevante divulgado pela instituição na quarta-feira (8).

O bolo de R$ 3,8 bilhões segue igual; a fatia por papel, não

A cifra global do JCP permanece em R$ 3,8 bilhões, o mesmo montante deliberado pelo conselho de administração em 30 de setembro. O que a homologação alterou foi o valor atribuído a cada ação: com a entrada de novos papéis, a base sobre a qual a mesma quantia é dividida ficou maior, e o unitário precisou ser recalculado pelo banco.

PapelValor bruto por açãoValor líquido (após 17,5%)
Ordinária (ON)R$ 0,323858718R$ 0,267183442
Preferencial (PN)R$ 0,356244590R$ 0,293901787

A preferencial concentra o maior unitário informado: R$ 0,356244590 por papel, antes do desconto tributário.

Duas classes de ação, dois valores unitários

O recálculo não é uniforme para toda a base acionária. Quem detém ações ordinárias recebe por papel um valor diferente de quem carrega preferenciais, e a distância entre eles aparece tanto no bruto quanto no líquido. Na prática, o montante que chega ao investidor depende de duas variáveis combinadas: a quantidade de papéis na posição e a classe a que eles pertencem.

Retenção de 17,5% e a exceção das pessoas jurídicas isentas

Os valores da terceira coluna já vêm com o desconto de 17,5% referente ao Imposto de Renda retido na fonte. Investidores pessoa jurídica classificados como isentos ficam fora desse corte e recebem o montante cheio. Para os demais, vale o número líquido, aquele que efetivamente é creditado na conta.

Emissão, crédito e o efeito sobre a posição do investidor

A subscrição se converte em posição a partir de 13 de outubro de 2026, data a partir da qual os novos papéis passam a constar na carteira dos subscritores. É essa ampliação da quantidade de ações em circulação que sustenta o novo cálculo do JCP por papel — a justificativa apresentada pelo próprio banco para o ajuste.

Fora o valor unitário, nenhuma outra condição mudou

O pagamento segue previsto para acontecer, no máximo, em 30 de abril de 2027. O montante global do JCP, o calendário e as condições descritas no comunicado anterior permanecem como estavam; a única alteração anunciada foi o valor por ação.

Leilão de sobras encerrado e capital de R$ 10 bilhões

A chancela do Banco Central fecha a etapa regulatória de uma operação já percorrida em partes. O banco havia encerrado o leilão de sobras — o procedimento em que os papéis não exercidos pelos antigos acionistas são ofertados a outros interessados — e comunicado a homologação do aumento de capital de R$ 10 bilhões, divulgado recentemente.

Uma base maior de ações, um JCP unitário redistribuído

O recado prático é de continuidade, não de surpresa: o total distribuído não cresceu, a data de pagamento continua a mesma e o valor por ação apenas foi redistribuído entre um número maior de papéis. Em movimentos desse tipo, o efeito tende a ser o de diluição do unitário sem alteração do montante global — detalhe que costuma escapar a leituras apressadas de anúncios de JCP e que pesa no planejamento de quem projeta recebíveis para o ano seguinte.