O preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras pela Petrobras (PETR4) subiu 11,8% e passa a valer a partir de 1º de outubro. Na prática, o litro ficou R$ 0,66 mais caro para as distribuidoras em relação à tabela de setembro — o segundo mês consecutivo de reajuste no combustível.

O percentual de outubro é menor que o de setembro, quando a elevação média alcançou cerca de 13,9% sobre agosto. A diferença tem origem contratual: a estatal usa uma fórmula paramétrica de precificação, pensada como amortecedor de curto prazo, o que costuma resultar em reajustes menos intensos do que os praticados no mercado externo.

Altas de 11,6% a 12% nos principais polos de venda

O índice geral não se reproduz de forma idêntica em todos os pontos de venda. Em cálculo feito a partir da tabela de preços divulgada pela companhia, Guarulhos (SP) registra 11,6%, Duque de Caxias (RJ) aparece com 12% e Betim (MG) fica em 11,6%.

Polo de vendaReajuste em outubro
Guarulhos (SP)11,6%
Duque de Caxias (RJ)12%
Betim (MG)11,6%

A dispersão entre os três polos é estreita, de 11,6% a 12%, o que indica aplicação praticamente uniforme do percentual médio sobre a tabela da estatal. Vale lembrar que esse é o preço cobrado na saída da refinaria: o valor pago pelo consumidor final só é definido depois, ao longo dos elos seguintes da cadeia.

Petróleo e Oriente Médio: a origem apontada pela estatal

O gatilho está fora do país. As cotações internacionais do petróleo e de seus derivados subiram ao longo de setembro, movimento que a companhia associa ao acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. No comunicado em que anunciou o reajuste, a Petrobras resumiu a avaliação. “ O reajuste anunciado reflete a elevação das cotações internacionais do Querosene de Aviação, ocasionado pelo recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio”

Fórmula paramétrica, competitividade e abastecimento confirmado

No mesmo comunicado, a estatal comparou o acumulado no país com o dos mercados internacionais.

A companhia também informou que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para outubro estão confirmados.

Duas altas seguidas: onde o custo aparece na cadeia

Do lado de quem compra, o encarecimento de R$ 0,66 por litro em outubro se soma ao reajuste de setembro. Para as distribuidoras, o custo de aquisição sobe antes de qualquer repasse, o que tende a pressionar capital de giro; a velocidade desse repasse depende de contratos, concorrência e demanda, e historicamente não acompanha o anúncio da refinaria de imediato.

Na aviação comercial, o QAV é insumo central e a sequência de elevações tende a manter o combustível no radar de custos do setor, ainda que o efeito final para cada operador dependa de contratos de fornecimento e de decisões comerciais próprias.

Para a Petrobras, um preço maior por litro tende a elevar a receita unitária do refino, mas o impacto no resultado depende de volumes e da referência internacional de preços — variáveis que o anúncio não detalha.

Como o mecanismo é mensal, o próximo reajuste dependerá do comportamento das cotações externas, com a fórmula paramétrica tendendo a manter o repasse doméstico mais suave do que o observado fora do Brasil.