A Safra Corretora divulgou as cinco operações que compõem sua carteira semanal para o intervalo de 28 de setembro a 2 de outubro. Do lado da compra aparece B3 (B3SA3), ao lado de outros dois papéis, enquanto dois nomes ficam na ponta vendida em day trade, as operações abertas e encerradas no mesmo pregão. A casa orienta que 20% do capital seja alocado em cada uma das cinco posições, formato restrito a investidores de perfil agressivo.

O dado que dimensiona o que esse tipo de carteira entrega ficou fora do título do relatório. Em agosto, o portfólio semanal do Safra acumulou ganho de 2,93%, enquanto o Ibovespa (IBOV) recuou 0,33% no mesmo período. A taxa de acerto, porém, ficou em 50%.

Acertar metade das apostas e ainda fechar no azul

O contraste entre acerto mediano e retorno positivo depende de uma relação específica: o tamanho médio das vitórias precisa superar o das derrotas. O relatório do Safra registra ganho médio de 4,03% nas operações vencedoras e perda média de -3,04% nas perdedoras de agosto. É essa assimetria, e não a frequência de acertos, que sustentou o resultado do período.

Para quem avalia carteiras de terceiros, o número desloca o foco da escolha dos papéis para a gestão de saída. Estratégias de trading de curtíssimo prazo com metade das apostas erradas ainda podem superar o índice de referência quando a perda média fica sob controle. Historicamente, é a disciplina de execução que costuma separar os dois cenários.

Entrada estreita, stop obrigatório

Luana Nunes e Cauê Pinheiro, estrategistas do Safra, alertam que a entrada só vale dentro de uma faixa estreita: no máximo 0,5% de diferença em relação ao preço definido para cada papel. Fora dessa margem, a operação deixa de ser a mesma que foi planejada.

A dupla também reforça a necessidade de respeitar os stops, os níveis em que a perda deixa de ser tolerável e a posição precisa ser encerrada. A proporção entre ganho e perda média é estreita — 4,03% contra -3,04% —, e um desvio no ponto de saída tende a corroer o colchão construído pelas operações vencedoras.

Os filtros que definem os cinco nomes

A metodologia da corretora parte de análise técnica, a leitura de preços e volumes passados para projetar movimentos, e prioriza companhias cujas ações registram volume financeiro elevado, critério que assegura liquidez para abrir e encerrar posições. O objetivo declarado é listar cinco oportunidades por semana entre os papéis brasileiros, sempre a partir do cenário técnico.

Para o investidor pessoa física, o desenho da carteira tem duas consequências práticas. A divisão igualitária entre as cinco operações não hierarquiza os nomes: cada papel carrega o mesmo peso no resultado, independentemente da convicção da casa. E a estratégia opera nos dois sentidos, comprando e vendendo, o que expõe a carteira a um conjunto maior de cenários.

O prazo e o que observar

A validade da carteira termina em 2 de outubro. Os pontos de controle são os mesmos que explicam o desempenho de agosto: o respeito ao preço de entrada, o acionamento dos stops e a proporção entre ganho e perda média em cada operação encerrada.