Receita recorde no 3T26 cresce 36%, mas Ebitda avança só 9%
A Suzano (SUZB3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 16,5 bilhões, alta de 36% na comparação anual e o maior faturamento trimestral de sua história. O Ebitda ajustado, indicador que mostra o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 5,7 bilhões, com crescimento de 9%. A receita avançou muito mais que o Ebitda, e essa distância entre os dois ritmos é o ponto que merece atenção do investidor.
Receita e lucro operacional em ritmos diferentes no 3T26
Na comparação com as expectativas, a receita ficou um pouco abaixo da média de R$ 16,8 bilhões estimada pelos analistas, enquanto o Ebitda praticamente acompanhou a projeção de R$ 5,8 bilhões compilada pela LSEG, plataforma que reúne estimativas do mercado. O lucro líquido atingiu R$ 2,1 bilhões, avanço de 6%.
| Indicador (3T26) | Resultado | Variação anual | Referência |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 16,5 bilhões | +36% | Média dos analistas: R$ 16,8 bilhões |
| Ebitda ajustado | R$ 5,7 bilhões | +9% | Projeção do mercado (LSEG): R$ 5,8 bilhões |
| Lucro líquido | R$ 2,1 bilhões | +6% | — |
| Geração de caixa operacional | R$ 3,8 bilhões | +12% | — |
O salto de faturamento veio sobretudo da incorporação da Arbex, uma joint venture, ou seja, uma parceria societária em que duas empresas dividem o controle de um negócio, formada com a Kimberly-Clark em julho deste ano. Isso tende a indicar que parte relevante da receita reflete um ativo novo no balanço, e não apenas o desempenho da base que a companhia já operava.
Caixa operacional de R$ 3,8 bilhões e a aposta para o 4º trimestre
A geração de caixa operacional chegou a R$ 3,8 bilhões no trimestre, alta de 12% frente ao mesmo período de 2025. Com esse ponto de partida, executivos da companhia, entre eles o vice-presidente financeiro Marcos Assumpção, afirmaram nesta sexta-feira que o quarto trimestre deve trazer resultados melhores que o terceiro, com geração de caixa muito forte nesse período.
Os fatores citados são três: preço favorável da celulose, sazonalidade do negócio e câmbio. Preço da celulose e câmbio dependem do mercado internacional, fora do controle da administração, de modo que a projeção fica exposta a mudanças nesses dois itens. Na prática, o resultado do 4º trimestre depende menos da operação em si e mais do ambiente externo.
Produção abaixo da capacidade e o peso do custo marginal
No começo do exercício, a companhia comunicou que manteria seu volume de celulose para o mercado em nível aproximado de 3,5% abaixo da capacidade nominal, estimada em cerca de 13,5 milhões de toneladas anuais. Agora, a Suzano informou que essa postura segue nos próximos trimestres, mesmo com o cenário mais favorável para o fim do ano. A justificativa está no custo de produção marginal, ou seja, o custo de produzir cada tonelada adicional, que ainda não justifica ocupar toda a capacidade.
A lógica é produzir apenas quando a tonelada extra rende o suficiente. Essa disciplina tende a preservar a rentabilidade por unidade, mas deixa parte da capacidade sem uso e limita o ganho de volume caso o cenário de preços se mantenha.
O que acompanhar nos próximos trimestres
Para quem acompanha o papel, a projeção de fim de ano se apoia em três pontos observáveis:
- Preço da celulose: principal motor citado pela empresa para um 4º trimestre melhor que o 3º.
- Câmbio: variações da moeda tendem a alterar a receita convertida em reais.
- Política de produção: a empresa vincula a manutenção do volume abaixo da capacidade à avaliação atual do custo marginal, o que sugere que uma mudança depende de melhora nesse custo.
O próximo balanço servirá de teste: se o avanço de receita se converter em Ebitda, a projeção de caixa ganha sustentação.
