Principais pontos
- A XP Investimentos rebaixou a recomendação das ações da Sanepar (SAPR11) de compra para neutro e elevou o preço-alvo para o fim de 2027, que agora é de R$ 45,80 por ação.
- A retenção de 25%, que antes era premissa-base, agora é tratada como cenário otimista.
- A TIR real estimada pela XP é de 14,2% para a Sanepar, 11,4% para a Sabesp e 14,4% para a Copasa.
- O múltiplo EV/RAB (Valor da Empresa sobre a Base de Ativos Regulatórios) da Sanepar é estimado em 0,6 vez, contra um múltiplo-alvo de 0,7 vez.
O corte não é operacional: é de premissa
A XP Investimentos rebaixou a recomendação das ações da Sanepar (SAPR11) de compra para neutro e elevou o preço-alvo para o fim de 2027, que agora é de R$ 45,80 por ação. A casa calcula que o papel negocia a uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real de 14,2%, mas avalia que a falta de catalisadores nos próximos 6 a 12 meses reduz a atratividade da companhia frente a outras empresas do setor de saneamento.
O rebaixamento, assinado pelos analistas Raul Cavendish, Bruno Vidal e Ana Clara Ribeiro, nasce de uma mudança de premissas, não de uma deterioração operacional. A tese anterior de compra se sustentava em duas pernas: chances razoáveis de privatização e a possibilidade de a Sanepar reter 25% dos R$ 4 bilhões em créditos tributários obtidos pela companhia, o que sustentaria dividendos elevados em 2026 e 2027. A retenção de 25%, que antes era premissa-base, agora é tratada como cenário otimista.
O que mudou não foi o resultado da empresa, e sim o peso que o mercado pode atribuir a eventos societários e tributários que ainda não têm data para acontecer.
A privatização saiu do radar de curto prazo
Segundo a XP, a privatização da Sanepar não deve avançar no curto prazo. A lista de motivos inclui a situação fiscal favorável do Paraná — que reduz a urgência de vender o ativo —, a baixa participação econômica do Estado na companhia, estimada em cerca de R$ 2 bilhões, e a estratégia de ampliar a cobertura de esgoto por meio de PPPs (Parcerias Público-Privadas).
A casa acrescenta a percepção positiva da população sobre a qualidade dos serviços prestados pela Sanepar. Uma eventual privatização não chega a ser descartada, mas a XP atribui a ela chances baixas e cronograma incerto — combinação que, na prática, retira o evento do horizonte de decisão de curto prazo de quem acompanha o papel.
Os dois gatilhos que ainda podem mexer com a tese
A própria XP aponta onde estaria o combustível para uma revisão. Uma mudança no cenário de privatização levaria a uma revisão das premissas para a companhia, e notícias positivas na disputa envolvendo os créditos tributários poderiam representar potencial de alta para as ações.
Do outro lado da balança, a ausência de catalisadores e o ritmo relativamente modesto dos resultados tornam a tese menos atraente na comparação com outras oportunidades do setor de saneamento. A consequência prática para quem tem exposição ao tema é uma assimetria mais fraca: os gatilhos de alta dependem de decisões políticas e judiciais fora do controle da companhia, enquanto o carrego da tese segue ancorado na operação — que, na avaliação da casa, avança em ritmo modesto.
Valuation: TIR de 14,2% e espaço que depende de gatilho
Na comparação de retorno, a Sanepar não é a mais atrativa do trio analisado. A TIR real estimada pela XP é de 14,2% para a Sanepar, 11,4% para a Sabesp e 14,4% para a Copasa.
O múltiplo EV/RAB (Valor da Empresa sobre a Base de Ativos Regulatórios) da Sanepar é estimado em 0,6 vez, contra um múltiplo-alvo de 0,7 vez. Existe, portanto, espaço teórico de reprecificação embutido na conta — mas ele está condicionado justamente ao catalisador que, na leitura da casa, ainda não apareceu no radar.
| Métrica | Sanepar |
|---|---|
| TIR real | 14,2% |
| EV/RAB estimado | 0,6 vez |
| Múltiplo-alvo EV/RAB | 0,7 vez |
| Preço-alvo (fim de 2027) | R$ 45,80 |
