Itaú mantém a marca mais valiosa do país — e o topo do ranking expõe o setor

A Brand Finance avaliou a marca do Itaú (ITUB4) em US$ 9,9 bilhões, avanço de 15% em doze meses e décimo ano seguido na liderança nacional. Na América Latina, o banco ficou com a segunda posição, atrás apenas da Corona, marca de cerveja mexicana estimada em US$ 13,9 bilhões. O número se refere apenas à marca, não ao valor de mercado do banco nem ao seu patrimônio.

O primeiro lugar, porém, diz menos que a composição do grupo que vem logo atrás dele.

As cinco marcas mais valiosas do Brasil são do setor financeiro

Depois do Itaú, o ranking nacional traz Banco do Brasil, Bradesco, Nubank e Caixa. As cinco primeiras colocações do país pertencem a instituições ligadas ao setor bancário, segundo o levantamento.

As cinco primeiras colocações do país pertencem a instituições ligadas ao setor bancário, segundo o levantamento.

A concentração reaparece na escala regional. Das dez marcas mais valiosas da América Latina, quatro são brasileiras — Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Nubank — e todas financeiras. A terceira colocação geral é da Modelo Especial, também mexicana, com US$ 8 bilhões.

Confira o Top 10 latino-americano:

  1. Corona Extra
  2. Itaú
  3. Modelo Especial
  4. Mercado Livre
  5. Bodega Aurrera
  6. Claro
  7. Banco do Brasil
  8. Bradesco
  9. Telcel
  10. Nubank

O valor das marcas subiu mesmo com a economia mais fraca

IndicadorValor
Marca do Itaú em 2026US$ 9,9 bilhões
Marca do Itaú em 2025cerca de US$ 8,6 bilhões
Evolução anual da marca do Itaú+15%
Corona, líder regionalUS$ 13,9 bilhões
Modelo EspecialUS$ 8 bilhões
100 marcas mais valiosas do BrasilUS$ 90,2 bilhões (+14%)
100 marcas mais valiosas da América LatinaUS$ 187 bilhões (+13%)

O conjunto das cem marcas brasileiras listadas representa US$ 90,2 bilhões, com crescimento de 14% na comparação anual, num pano de fundo de juros altos, atividade econômica menos expansiva e consumo retraído. No recorte latino-americano, as cem primeiras somam US$ 187 bilhões, alta de 13%.

Um avanço de marcas acima do ritmo da economia costuma acompanhar setores com receita recorrente e poder de precificação — combinação típica de serviços financeiros, especialmente quando a confiança do cliente funciona como barreira de entrada.

Como a Brand Finance chega a esses valores

O método se chama Royalty Relief, ou alívio de royalties. A ideia é estimar quanto uma companhia precisaria pagar para licenciar a própria marca caso ela pertencesse a outro dono. A consultoria começa atribuindo uma nota de força, que considera investimento em marketing, percepção dos clientes e desempenho do negócio. Essa nota serve de base para uma taxa de royalties alinhada ao setor, aplicada sobre receitas futuras vinculadas à marca. Ao final, os fluxos projetados são trazidos a valor presente, seguindo a norma internacional ISO 10668.

Marca forte não é sinônimo de ação barata

Um nome reconhecido tende a facilitar a conquista e a manutenção de clientes, a diminuir o custo de atrair novos consumidores e a abrir espaço para lançamentos. Nada disso, sozinho, informa se o papel está caro ou barato.

Para quem investe, a marca é um fator entre vários. Lucro e rentabilidade entram na conta, assim como inadimplência, despesas, capital e a qualidade da carteira de crédito, sem deixar de lado o preço das ações. A vice-liderança regional sinaliza reputação e força comercial — atributos que, historicamente, costumam pesar em um segmento no qual o cliente decide com base na confiança. Transformar esse dado em tese de investimento exige combiná-lo ao restante dos fundamentos.