A Suzano (SUZB3) divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2026 com desempenho financeiro aquém das projeções já conservadoras do consenso, registrando contração de 18,0% no Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, métrica que mede a geração operacional de caixa) na comparação com o trimestre anterior. A frustração com os números e a pressão sobre as unidades de celulose e papel impulsionaram uma reação negativa imediata no pregão da B3, com os papéis da companhia recuando mais de 2% na sessão seguinte à divulgação.
Resultados Financeiros e Segmentação
O indicador operacional consolidado atingiu R$ 4,6 bilhões, ficando 5,8% abaixo do que as casas de análise estimavam. Na linha da rentabilidade, a empresa apurou lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, o que representa uma retração de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado, métrica que normaliza itens não recorrentes, fechou em R$ 4,58 bilhões (queda de 6% ano a ano), enquanto a margem operacional se sustentou em 42%. A desagregação por unidade de negócio evidencia a assimetria nos resultados:
| Segmento | Ebitda Apurado |
|---|---|
| Celulose | R$ 4,1 bilhões |
| Papel | R$ 524 milhões |
| Consolidado | R$ 4,6 bilhões |
Pressão nos Volumes e Eficiência Operacional
De acordo com o JPMorgan, ambos os segmentos operaram abaixo das expectativas. A unidade de celulose registrou desvio no cash cost ex-downtime (custo caixa excluindo paradas de manutenção, indicador de eficiência produtiva), enquanto a divisão de papel enfrentou a combinação entre embarques reduzidos e despesas de produção elevadas. O Bradesco BBI atribui a lacuna em relação ao consenso, principalmente, aos volumes mais fracos no core business.
As vendas de celulose despencaram 17% na comparação trimestral. Analistas apontam que o montante foi impactado por uma sazonalidade mais fraca, alta concentração de paradas técnicas para manutenção e uma possível recomposição de estoques por parte de clientes durante o período. Com a produção recuando, os custos caixa aumentaram até 3% de um trimestre para o outro.
O que isso significa para o investidor
A dinâmica de queda nos volumes e alta nos custos de curto prazo sinaliza um ciclo de transição operacional para a companhia. A perspectiva do BBI indica que essa assimetria pode ser normalizada a partir do segundo semestre, mas o sentimento do mercado tende a permanecer cauteloso no horizonte imediato. O investidor deve monitorar como a gestão articula a recomposição de estoques globais com a capacidade de repassar custos, especialmente em um cenário onde a rentabilidade do setor de papel e celulose já enfrenta compressão frente aos concorrentes. Desde o fim de fevereiro, a SUZB3 acumulou desvalorização de 20%, performance inferior aos pares nacionais (-10%) e internacionais (-14%).
Fatores de Risco e Atenção
- Pressão de custos operacionais: A elevação de até 3% nos custos caixa no curto prazo pode comprometer a expansão das margens caso não seja acompanhada de ganhos de escala ou eficiência logística.
- Volatilidade de volumes: A queda de 17% nas vendas de celulose reflete fatores sazonais e de paradas de manutenção. Atrasos na normalização da produção ou na demanda internacional podem postergar a recuperação operacional.
- Sentimento do mercado: O desempenho da ação já fica à frente da média setorial. Qualquer sinal de fraqueza na orientação futura pode ampliar a pressão vendedora no pregão.
Perspectiva e Próximos Passos
O foco do mercado se desloca agora para a teleconferência de resultados com a diretoria. Investidores acompanharão de perto as orientações sobre a dinâmica de preços da celulose, o cronograma de retorno à plena capacidade produtiva e como as pressões de custo podem evoluir nos próximos trimestres. O BBI destaca que, apesar do resultado operacional abaixo do esperado, parte da queda reflete a recomposição de estoques após níveis historicamente baixos no quarto trimestre anterior, fator que pode sinalizar demanda reprimida sendo atendida nos próximos ciclos.
